Manual de Colheitas

BACTERIOLOGIA

As amostras para a bacteriologia devem ser colhidas para um recipiente estéril, e, no caso de zaragatoas, devem ser utilizadas as que apresentam meio de transporte no tubo. O tempo de transporte deve ser tão curto como possível e em condições de refrigeração.

Para todas as amostras microbiológicas, o animal deverá ter terminado a terapêutica antibacteriana por um período mínimo de cinco dias, idealmente 8 dias.

As seguintes amostras não são adequadas para o cultivo microbiológico:

– Colhidas em solução de fixação (formol);

– Conservadas inadequadamente quanto à temperatura;

– Transportadas em recipientes não estéreis, danificados e/ou conspurcados;

– Colhidas em zaragatoas completamente secas;

– Amostras para cultura de anaeróbios que estiveram em contacto com o oxigénio (ex:  fezes, exsudados superficiais, expetoração e secreções brônquicas, urina obtida por micção ou algaliação e exsudado vaginal) ou que não respeitaram as condições de transporte recomendadas.

 

Recomendações para a recolha de amostras para análise bacteriológica:

  1. Abcessos e feridas – Zaragatoa com meio de transporte ou humedecida com solução salina estéril.
    • Lesões ulceradas da pele e mucosas: recomenda-se a realização de biópsia para cultura microbiológica e estudo histopatológico.
    • Exsudados: Puncionar com seringa e agulha e enviar em tubo seco estéril ou outro meio de transporte adequado. No caso de pouca quantidade de amostra, enviar na seringa fechada com tampa estéril (sem agulha). Se não for possível aspirar o exsudado, fazer colheita com zaragatoa com meio de transporte.
    • Abcessos: Após desinfeção da pele com solução asséptica alcoólica, deixar secar. Puncionar o abcesso e enviar o conteúdo purulento em meio de transporte ou em tubo seco estéril. Considerar a probabilidade de existir um agente etiológico anaeróbio
  1. Ouvido – Na espécie canina a otite externa é muito comum e deve solicitar-se o exame microbiológico em todos os casos.
    • Secreção auricular: Após limpeza do pavilhão auricular interno com solução salina estéril 0.9%, introduzir a zaragatoa verticalmente no interior do canal auditivo, de forma a não contaminar pelo contacto com o pavilhão auricular externo.
  1. Olhos (conjuntiva) – Recomenda-se a colheita asséptica de raspados conjuntivais e/ou corneais.        As zaragatoas nem sempre recolhem suficientes microrganismos e desidratam mais facilmente, limitando as possibilidades de isolamento. Por vezes é necessário instilar algumas gotas de solução salina estéril no saco conjuntival antes da colheita.

 

  1. Urina – A cistocentese é o método ideal para colheita de amostras para urocultura. As amostras devem ser acondicionadas em contentores estéreis e guardadas a + 4º C caso não sejam processadas dentro de uma hora após a colheita da amostra. A colheita livre de urina está sujeita a contaminação, especialmente nas fêmeas. Neste caso pode ser difícil concluir se as bactérias provêm da uretra ou da bexiga, ou se por outro lado eram contaminantes da região perineal. A contaminação pode ser minimizada pela limpeza da vulva e do prepúcio e pela recolha de amostras no meio da micção, que é a parte menos susceptível de ser contaminada.

 

  1. Trato Respiratório – As amostras recolhidas por lavagem traqueobrônquica ou bronco-alveolar devem ser recolhidas para um contentor estéril e transportadas para o laboratório o mais rápido possível.
    • A expetoração e as zaragatoas nasais são amostras com pouco interesse para o cultivo bacteriológico, pois a contaminação com flora comensal é muito elevada.
    • As culturas do trato respiratório devem ser avaliadas com precaução já que é comum encontrar flora comensal do nariz, da cavidade oral e da faringe. Neste caso é importante que o clínico comunique o diagnóstico presuntivo ao laboratório.
    • A aspiração transtraqueal percutânea pode evitar a contaminação do trato respiratório superior. A infecção pulmonar em certos casos pode diagnosticar-se usando uma agulha para biopsia de pulmão ou toracocentese já que se reduz o risco de contaminação da amostra (Indicações de colheita e transporte na secção 7. Biópsias).
  2. Líquido Cefalo-raquidiano (LCR) – É necessário um volume adequado (cerca de um mililitro) colhido sob condições de assepsia estritas. A amostra deve ser enviada para o laboratório num tubo seco estéril ou em meio de transporte, o mais rápido possível, sem refrigerar.

Alguns agentes podem não sobreviver independentemente dos cuidados de transporte e armazenamento.

 

  1. Biópsias – Após desinfecção cirúrgica da pele, colher a amostra e colocar em contentor esterilizado. Caso não seja possível a entrega no Laboratório dentro de uma hora, deve ser adicionada água destilada esterilizada e a amostra deve ser mantida refrigerada.

 

  1. Fezes – Uma amostra de fezes é geralmente suficiente para o exame bacteriológico. Recolher uma pequena porção que contenha sangue, muco ou pus visíveis. A amostra deve ser entregue no laboratório o mias rápido possível ou, em alternativa, esta deve ser conservada refrigerada 4º C.

 

  1. Bílis – Após a recolha asséptica da bílis, esta deve ser conservada na seringa, que deve ser imediatamente fechada de forma a não permitir a entrada de ar.

i         Considerar sempre a cultura de anaeróbios desta amostra.

 

  1. Anaeróbios – A pesquisa de microrganismos anaeróbios apenas deve ser realizada em amostras colhidas de locais em anaerobiose (sem contacto com o oxigénio). Após desinfeção da zona a puncionar com álcool 70% fazer a colheita da amostra por punção aspirativa. Imediatamente após a recolha deve ser retirado o ar que se encontra dentro da seringa (para reduzir a quantidade de oxigénio ao máximo) e esta deve ser devidamente fechada com tampa estéril.

i         As amostras devem chegar ao laboratório num máximo de 30 minutos, não refrigeradas.